O importante é ler, não importa o quê.

Tenho preguiça de ler, mas amo ler.

Não gosto de comédia, nem daqueles romance bobos. E isso vale não apenas para livros, é “quase” geral. O fascínio é mais pelo mistério, horror, filosófico, ainda que alguns outros gêneros me tomam de encantamento, mas não aqueles. Talvez seja culpa da minha avó materna, com quem convivi até meus 7 anos de idade. Mulher de descendentes fortes (negro, índio, europeu), ela, mulher do campo, contadora de histórias, de fala alta e risada mais alta ainda. As noites eram tão escuras, mas o céu, alguns dias era incrivelmente estrelado. Sentávamos na varanda de sua casa, em um sítio quase no meio do nada, então como de costume, enrolava o seu cigarro, olhava profundamente para o breu em direção ao bosque, e era a parte em que eu não desgrudava os olhos dela, a noite era longa e as histórias assustadoras, nada de príncipes e princesas, mas pequenos trechos de terror, em sua maioria sobre “aquela encruzilhada ali do lado”, todas as histórias vivenciadas ali próximo, não muito longe de sua casa. Cada noite era algo diferente, havia cruzes e bodes (lembro que o vizinho tinha vários bodes), pessoas que já tinham ido desta para uma melhor e que apareciam nas estradas depois das badaladas da meia-noite, os animais selvagens que eram atraídos para aquele lugar, as mulheres que dançavam sob o luar – dizia sempre antes de começar: “isso aconteceu com fulano, beltrano…” e claro, com ela também. E eu acreditava, e não desacredito até hoje. Pequena e significativa parte da minha primeira infância, uma das poucas coisas que lembro.  Pelos breves clarões lúcidos desses primeiros anos, ali se formava parte da minha personalidade. O mundo é bem mais interessante, sob esta perspectiva. (Obrigada, Vó! Muito mesmo.)

Minha imaginação ainda é como de uma criança, de quando eu era criança, tudo toma forma e eu ainda posso tocá-la e sentir. É um transe no qual eu ainda estou no controle. Ainda.

Costumo ler mais de um livro por vez.
Costumo ouvir música enquanto leio no ônibus/metrô (somente nesses casos, por causa do barulho).
Quando leio deitada, após umas 5 paginas, já capotei.
Na maioria das vezes quando termino de ler alguma pagina não lembro mais do que li e tenho que ler tudo de novo. Acontece muito.
Raramente lembro dos nomes dos personagens (isso acontece com nomes em geral – dificilmente lembro).
Já li livros em menos de um dia.
Já demorei meses pra terminar de ler um livro.
Já comecei a ler livros, e nunca terminei.
Nunca lembro completamente da historia toda do livro depois de um tempo.
Não gosto de emprestar livros (não me peça).
Não sou fanática por nenhum autor – tenho alguns que gosto e leio mais, porém nenhum preferido.
Não faço coleções, mas já comprei box de colecionador pq achei fofo .
Tenho pilhas de livros e não consigo acompanhar, e minha mãe faz questão de me lembrar disso todos os dias com uma pequena sugestão… – “Doe, ou venda!”. (Não mãe. Tá louca!)

Quando se está sob o efeito de uma droga, tudo se expande assustadoramente – assim acontece, quando você começa a ler um livro.

 

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