O avesso sem contexto, que carrega a pausa do dia.
Há muito tempo, ou bem, no decorrer dele, eu perdi parte daquela euforia torturante de quando olhava o mundo, em que cada detalhe trazia uma nova perspectiva de um misterioso lugar. Algo na minha mente, do meu passado, ou vestígios de um passado que nem tinha vivido. Nenhum sentido em particular, eram partes de memórias que eu estava criando, de um sonho em que vivi. Não aqui. Num paralelo daqui.
Agora essa sensação vem de vez em quando, em movimento, atravessando o frágil corpo imóvel, indo pra algum lugar, qualquer lugar. O velho vento cantando, aquele, dos tempos antigos. Tomo essas doses, pequenas doses diárias, preenchendo os espaços, quase um quebra cabeça – em alguns momentos ouço sons, próximos. Vem lá de cima, orbitando entre as camadas borbulhantes deste tempo.
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