Eco.

Algo quebrou, e isso foi a tanto tempo que nem lembro mais.
Agora tudo é caco. Milhares.

As vezes, tropeço e caio em um monte deles, me rasgo com os pedacinhos espalhados, retalho a pele, formando finos rios vermelhos que transbordam, e percorrem meu corpo até o piso frio, alagando.
Ninguém consegue enxergar, essa pele, as cicatrizes expostas, machucadas – fico invisível.
Há uma correnteza visceral vindo neste momento, e não consigo sair do lugar. Olho o teto, sem luz, sinto as palavras mudas, o aperto agudo, agitado presos na garganta. Engulo.
Os vultos se divertem e dançam pelos cantos, suas risadas barulhentas e altas me puxam ainda que inerte. Eu também consigo sorrir e girar e girar, e minha risada agora também alta torna-se eco, minha pele exposta, latejante. Todos me olham. Cegos.

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