Eu nasci em 87.
Ano do “Appetite for Destruction” (G´nR) e “The Joshua Tree” (U2). Foi o ano do Hard Rock, seu auge e fim, disseram – e o nascimento de algo diferente – Alice in Chains, Nirvana, Porcupine Tree.
O céu era azul, e as estrelas dançavam de ponta a ponta no hemisfério.
Segui as pequenas pegadas na areia depois da tempestade, e teve alguns desastres, mas era belo sob aquele céu iluminado. Os braços rodopiando, sorrisos, e a queda.
Depois de alguns instantes, você percebe que o tempo voa.
A família desordenada e você emancipada de sentimentos desde tão cedo. Como o tempo danifica.
Pela janela ouço o assobio do vento, e o mundo passa a mil por hora lá fora, e vejo cidades em instantes, desaparecerem diante dos meus olhos. As estrelas estão se apagando, uma a uma.
Depois de alguns instantes, você percebe que o tempo voa.
Era 1998,
Sob o céu cinza, me deitei no concreto frio, entre os arranha-céus.
Aquele ano tivemos, “Yield” (Pearl Jam), “Nightfall in Middle-Earth” (Blind Guardian), “My Arms, Your Hearse” (Opeth), “Follow the Leader” (Korn), “Garage Inc.” (Metallica).
Corri pra alcançar as nuvens, em vão. Ainda me vejo, naquele sobretudo preto e um capuz que cobria metade do meu rosto, tentando me aquecer, quando o céu desabou de vez.
Os outonos estão sempre se afastando. Chegando em algum lugar, menos aqui.
É o reino do caos e eu aprendo como sorrir de vez em quando – você já teve a sensação de ter estado aqui, antes? De que todos os pensamentos começam em um lugar longe daqui, e que com o tempo esquecemos todas as histórias – você pensou no último som, como o de uma arma? Não ouço minha própria alma gritando, todos os meus sonhos, sacrificados – você já pensou na última coisa que escutou enquanto desmaiava, um assobio? Estou traçando uma linha, estou assumindo o controle, salvando minha alma.
Naquele campo, no entardecer, parecia ser eterno, tudo fazia sentindo. Mas, depois de alguns instantes, você percebe que o tempo voa.
Você se afasta, e parece tão natural, – provocando a saída de todos os meus sentimentos. Estou cansada do ontem, do amanhã, dos dias depois do amanhã, sussurros, das palavras ditas diversas vezes, essas que ainda rodeiam meus pensamentos. Você continua aqui, nada morre, nada realmente acaba.
Vai levar um tempo, então o dia começará novamente, – não se preocupe. – a poeira na minha alma me faz sentir o peso nas minhas pernas. O silêncio é uma forma de dizer o que eu quero, enquanto o tédio me desgasta, e o inverno me faz sentir saudades do outono.
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