Ritual

“Será que ainda há um pouco de nós em nós mesmos?”

O tempo, imperturbável, despertou hoje com um frio sutil, mas suficiente para me arrancar da inércia do sono. Levantei antes mesmo de acordar, como se minha existência fosse uma coreografia ensaiada, uma dança automática entre a consciência e os músculos.

Essa máquina de carne e ossos.

Nesse ritual encenado.

Instantaneamente estou de pé, tenho exatos 55 minutos antes de sair pela porta.

Agora todas as manhãs tenho uma nova ansiedade, esperar pelo elevador, a eternidade nunca pareceu tão densa assim, são 3 minutos que separam meu refúgio do mundo lá fora, apenas alguns passos, mas suficiente pra sentir a perfeição daquela manhã, aquele chuvisco gelado, – Meus óculos! Ah, que merda! Ainda assim, é uma manhã perfeita.

As vezes, ainda me surpreendo.

Ainda há em mim, muito de mim.

Não importa quão longe tenha ido, quantos lugares tenha percorrido. É sempre bom voltar.

Pra mim.


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