Sei das coisas que falo, essas coisas que são minhas. Conheço cada fio que entrelaça meus pensamentos, cada nuance que dá vida às minhas expressões. Minhas palavras, eu sei.
Sei ao certo, que são certas.
Cada ponto, cada vírgula, cada espaço
Excessos
Escassezes
Sei da certeza que habita em cada sílaba, cada ponto final. Cada vírgula, que carrega consigo a cadência dos meus pensamentos, um ritmo que só eu, o artífice dessa tapeçaria verbal, posso compreender.
Nos excessos, despejo minha alma em torrentes de sentimentos, transbordando em uma profusão de significados. Nas escassezes, sinto o peso das entrelinhas, onde o silêncio sussurra verdades que as palavras não ousam proferir.
Diretas e legíveis, minhas palavras buscam a clareza, transparência, como se a própria linguagem fosse uma janela aberta para a minha essência. Eu sei como escolher as palavras, como arranjá-las de forma a revelar, mas também a ocultar, nuances do meu universo.
Mas, em meio a essa dança de letras e significados, paira a dúvida: o outro sabe? Será que aquele que mergulha nas linhas que traço compreende a complexidade, a profundidade dessas palavras que são minhas? Será que captam os suspiros entre as frases, os matizes de sentimentos que se escondem?
Eu sei das coisas que digo.
Assim, enquanto carrego a convicção do que sei, também enfrento a incerteza do entendimento alheio. A comunicação é um jogo delicado, onde as palavras transitam tímidas, entre emissores e receptores, nem sempre seguindo a mesma direção. O que sei é meu.
Mas, o outro sabe que de tudo isso eu sei?
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