O Verão.

Os dias estão se esticando cada vez mais, como se o tempo quisesse nos provocar, nos lembrar de que ele passa, ininterrupto. E nesses dias quentes, tudo parece se intensificar, até as sensações que preferiria evitar.

A temperatura sobe e, com ela, uma lembrança incômoda do quanto eu não sou amiga do calor. Uma espécie de desconforto que se instala, e não importa o quanto tentemos nos acostumar, a verdade é que os dias quentes são um desafio para mim.

Mas, em meio a esse desconforto, encontro pequenas recompensas. O azul do céu, por exemplo, ganha uma tonalidade especial. É como se o calor trouxesse consigo uma explosão de cores, tornando o azul mais vivo, mais profundo. As nuvens, antes dispersas, assumem formas suaves e montanhosas, como se o próprio céu estivesse tentando me presentear com algo bonito para compensar o incômodo térmico.

E há o entardecer.

Ah, o entardecer! É uma obra de arte em movimento, como se o sol, ao se despedir, caprichasse na sua última performance do dia. Se pudesse, ficaria ali, contemplando por horas, perdendo-me na transição de tons, desejando que pudesse durar para sempre naquele momento de pura poesia.

Mas, infelizmente, os fatos são teimosos. Mesmo com toda essa beleza que se revela nos detalhes do céu, não consigo ignorar a aversão que sinto por esses dias quentes. Talvez seja a resistência do meu corpo, talvez seja a nostalgia de dias mais amenos. Não sei ao certo, mas sei que mesmo diante de toda essa poesia que o calor traz consigo, eu ainda prefiro a brisa suave de um dia ameno.

E assim, entre a dualidade das sensações, eu continuo enfrentando os dias quentes, buscando nas pequenas gratificações visuais uma forma de suavizar a aversão que sinto. Quem sabe, em meio a esses contrastes térmicos, eu encontre o equilíbrio, até mesmo de uma inesperada apreciação pelos dias quentes.

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