Há perguntas que a gente lança ao mundo como quem grita num abismo — e espera eco.
uma confirmação, uma voz que diga: sim, continua, não, desiste, espera só mais um pouco.
mas às vezes, tudo o que vem de volta é o vazio.
nenhuma palavra.
nenhum sinal.
nada.
e é aí que mora a dor.
porque a ausência de resposta também é resposta.
e o silêncio, embora desconfortável, pode ser a única voz honesta que nos resta.
ele não nega, nem afirma.
ele só é.
e se for ele o que insiste em nos dizer o que não queremos ouvir?
que já não há mais o que insistir.
que seguir em frente exige deixar ir.
que não há volta.
ou pior: que há, mas não vale a pena.
e se for ele a pausa necessária entre um fim e um recomeço?
o intervalo entre o que fomos e o que, talvez, ainda sejamos?
escutar o silêncio dói.
mas talvez, no fundo, seja o único som que ainda faz sentido.
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