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Não foi um acontecimento, nem uma data. Foi um dia qualquer, desses que costumam passar sem lembrança. Talvez eu estivesse saindo, talvez voltando; não lembro ao certo. O que ficou foi o gesto simples de parar o olhar no rosto da minha mãe. Não como antes, quando a gente cumpre o protocolo de ver sem
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Tudo está suspenso.A floresta respira em névoa, como se o mundo tivesse esquecido de acordar. As árvores, quietas, carregam em si o frio da hora anterior à primeira luz — quando nem o tempo tem certeza se continua. Há orvalho nos galhos, nas folhas, nas margens do invisível. E então, lentamente, como quem não quer
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Há um tipo de colapso que não grita. Ele se instala devagar, como infiltração em parede antiga. Ninguém percebe no início. O colapso se instala silencioso, entre suspiros e gestos quase imperceptíveis, dissolvendo o equilíbrio sem alarde. É um processo invisível, que não pede licença nem sinaliza sua chegada — apenas consome, aos poucos, a
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A gente sempre sente uma saudade quando olha pra trás. Não daquela história que terminou com ponto final, nem das cenas que se encerraram com aplausos ou tragédia, mas daquilo que foi sumindo devagar, quase em silêncio, enquanto a gente crescia sem perceber. A saudade mais funda é essa que se esconde nas dobras do
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Os dias estão se esticando cada vez mais, como se o tempo quisesse nos provocar, nos lembrar de que ele passa, ininterrupto. E nesses dias quentes, tudo parece se intensificar, até as sensações que preferiria evitar. A temperatura sobe e, com ela, uma lembrança incômoda do quanto eu não sou amiga do calor. Uma espécie