momentos
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Não foi um acontecimento, nem uma data. Foi um dia qualquer, desses que costumam passar sem lembrança. Talvez eu estivesse saindo, talvez voltando; não lembro ao certo. O que ficou foi o gesto simples de parar o olhar no rosto da minha mãe. Não como antes, quando a gente cumpre o protocolo de ver sem
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Vésper I Há um momento do dia em que a cidade parece não lembrar quem é.É quando as ruas ainda estão vazias, o céu guarda o resto da noite, e as janelas não se acenderam por completo. Nesse intervalo, os prédios silenciam, os carros repousam como ferros adormecidos, e até o asfalto parece respirar baixo,
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Para os momentos de silêncio entre o que fomos e o que somos. Introdução (achei que seria apropriado) Às vezes, um instante fora do meu próprio universo traz uma lembrança inesperada. Vejo caminhos que se distanciam, vozes e gestos que se transformam, diferentes do que um dia conheci. Não é tristeza, nem julgamento, mas o
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Tudo está suspenso.A floresta respira em névoa, como se o mundo tivesse esquecido de acordar. As árvores, quietas, carregam em si o frio da hora anterior à primeira luz — quando nem o tempo tem certeza se continua. Há orvalho nos galhos, nas folhas, nas margens do invisível. E então, lentamente, como quem não quer
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Há um tipo de colapso que não grita. Ele se instala devagar, como infiltração em parede antiga. Ninguém percebe no início. O colapso se instala silencioso, entre suspiros e gestos quase imperceptíveis, dissolvendo o equilíbrio sem alarde. É um processo invisível, que não pede licença nem sinaliza sua chegada — apenas consome, aos poucos, a