momentos
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O avesso sem contexto, que carrega a pausa do dia. Há muito tempo, ou bem, no decorrer dele, eu perdi parte daquela euforia torturante de quando olhava o mundo, em que cada detalhe trazia uma nova perspectiva de um misterioso lugar. Algo na minha mente, do meu passado, ou vestígios de um passado que nem
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Há um desconforto na vida, em viver. É mais profundo que isso, a existência. A apatia das camadas visíveis, a empatia invisível. Existe essa pressão profunda em volta, entre você e tudo que supostamente você toca, sente. Muitas vezes, nos longos momentos desse viver, sinto esse cheiro, intenso, do ventos úmidos, – percorrendo estas lacunas
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Longe da multidão é possível ver o quadro todo, me afasto então. Os aglomerados cheios de querer tanta atenção, o desespero para se sentir acolhido, amado, escolhido, uma peça importante no jogo – é interessante assistir ao longe, enxergar nitidamente esse falso improviso decorado. Já vi os sorrisos, rasgados, trêmulos e cansados, nos becos, contra
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Há tempos, e os dias se arrastam. Mas isso não é novidade, tão pouco inesperado, pelo contrário – violentamente turbulento, invisível. Neste meio tempo minha mente parece fragmentada, os milhares de pequenos espaços ocupados, onde as lembranças habitam, desvanecendo, no vácuo – me tomo aos poucos pela ausência – de tudo, todos, de mim. Não
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A árvore não está tão velha, não chegou a metade de sua vida, mas sua raiz já está apodrecendo, suas folhas agora caem fora da estação, poeira no ar, e o ar está úmido. Ouço ruídos, ocos, uma respiração ofegante, abafada, sinto tão próxima, parece se misturar com a minha, – aquelea velha e leve