Estava procurando alguma coisa, tentando organizar as palavras pra que fossem entendidas, sei lá. Não consegui. É bem difícil algumas vezes. Em certos momentos algumas pessoas dizem aquilo que era exatamente o que você queria dizer, – acontece não é mesmo?!

Em uma parte de uma entrevista, quando perguntaram ao Bukowski sobre a solidão, ele disse:

Eu nunca estive só. Eu estive em um quarto – eu me senti suicida. Eu estive deprimido. Eu me senti horrível – horrível além de tudo – mas eu nunca senti que uma outra pessoa poderia entrar naquele quarto e curar o que estava me incomodando, ou que qualquer número de pessoas poderia entrar naquele quarto. Em outras palavras, a solidão é algo que nunca me incomodou porque eu sempre tive essa coceira terrível de solidão. É estar em uma festa ou em um estádio cheio de pessoas torcendo por algo, que eu possa sentir solidão. Vou citar Ibsen, “Os homens mais fortes são os mais solitários.” Eu nunca pensei: “Bem, alguma loira linda vai entrar aqui e foder comigo, esfregar minhas bolas e eu vou me sentir bem.” Não, isso não vai ajudar. Você conhece a típica multidão que diz: “Uau, é sexta à noite, o que você vai fazer? Só ficar aí sentado?” Bem, sim. Porque não há nada lá fora. É estupidez. Pessoas estúpidas se misturando com pessoas estúpidas. Que se estupidifiquem eles, entre eles. Eu nunca fui incomodado com a necessidade de sair correndo para a noite. Eu me escondia em bares, por que eu não queria me esconder nas fábricas. Isso é tudo. Me desculpe por todos os milhões, mas eu nunca estive só. Eu gosto de mim mesmo. Sou a melhor forma de entretenimento que eu tenho. Vamos beber mais vinho!

Sempre que me perguntam sobre o Bukowski, sempre digo que “ou você ama, ou você odeia”, – mesmo que eu sinta as duas coisas rs.
Mas ainda acho que todos deveriam lê-lo alguma vez. É tão cru e objetivo que você começa a ver a vida em si de maneira pragmática (talvez), o cotidiano tão mediano. Praticamente um tapa na cara.

 

Avatar de JeSantti

Publicado por

Deixe um comentário